terça-feira, fevereiro 19, 2008

TI irá desembarcar na Bolsa

Diversas empresas de áreas ligadas à TI (tecnologia da informação) estão preparando sua ida à Bolsa. Em meio às turbulências nos mercados acionários mundiais, um dos caminhos escolhidos é o da Bovespa Mais, que possibilita captações menores. A próxima companhia a tomar esse rumo deve ser a Senior Solution, cujos principais sócios são o fundo de venture capital Stratus e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A decisão final será tomada entre março e abril. E o IPO está programado para ocorrer ainda no 1º semestre do ano. "Estávamos aguardando para ver como seria a estréia do Bovespa Mais. Nossa avaliação é que, mesmo em um momento de alta aversão a riscos, a chegada da Nutriplant mostrou que nossa ida ao novo segmento é viável", explica o presidente da Senior Solution, Bernardo Gomes. A empresa, que tem como clientes os dez maiores bancos privados do País, dobrou seu faturamento - de R$ 15 milhões para R$ 30 milhões - entre 2006 e 2007. "Com o IPO, esperamos ter fôlego para faturar R$ 400 milhões em alguns anos. Isso tornará possível nosso planos de internacionalização. Para isso, precisaremos do mercado de capitais para continuar adquirindo empresas e ganhando escala e volume", afirma Gomes.

Há outras companhias de TI do País que mantêm o interesse em listar-se e negociar ações. Porém, devem aguardar um momento mais favorável para preparar sua oferta pública inicial de ações. É o caso da goiana Politec, que atua com manutenção de software e sistemas e gestão de empresas. Seu faturamento anual é superior a R$ 500 milhões. "Nosso plano é ir à Bolsa em 2009. Queremos chegar ao Novo Mercado e, por isso, temos de aguardar a próxima janela que o mercado abrir", diz o diretor-presidente da Politec, Luiz Ribeiro.

Outra companhia do segmento de TI que se estrutura para fazer IPO é a CPM Braxis, uma das maiores empresas brasileira de TI. No entanto, de acordo com as informações apuradas pela Gazeta Mercantil, sua oferta não ocorrerá em 2008. A empresa organiza-se internamente e o assunto voltará à ordem do dia com maior intensidade no fim do ano. "Há, em TI, uma corrida por consolidação, ganhar musculatura e ir à Bolsa", afirma o conselheiro da ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital), Sidney Chameh.

O executivo, que também é sócio-fundador da DGF (Decisão Gestão de Fundos), foi um dos responsáveis pelo aporte que gerou, em 2005, a fusão entre Microsiga e Logocenter. No ano seguinte, fortalecida, a empresa abriu capital na Bovespa, com nome de Totvs. Com a oferta mista de papéis, levantou aproximadamente R$ 460 milhões. "Acredito que há pelo menos dez empresas do setor em processo de preparação para fazer seu IPO. Até o fim do ano passado, uma companhia com faturamento anual de R$ 100 milhões era alvo para ir à Bolsa. Agora, terão de esperar um momento mais favorável, devido ao nível de incerteza na economia norte-americana", pondera.

Na prateleira da CVM

Atualmente, duas companhias de TI têm pedidos de registros em análises na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). São a Tivit, que deu entrada no processo no início de outubro do ano passado, e a Locaweb, que fez o mesmo no fim do mês seguinte. A Tivit, no entanto, solicitou a suspensão da oferta por 60 dias. Durante o período, pode optar por dar seqüência ao processo ou desistir de fazer seu IPO.

Para o diretor de auditoria da BDO Trevisan, Henrique Campos, ofertas de ações de outras empresas de tecnologia da informação devem vir ainda no segundo trimestre do ano. "Há dois fatores que definirão esse movimento. O primeiro tem relação com os balanços e análises de resultados das empresas - o prazo vai até 31 de março. O segundo fator será o término do ano financeiro, que acontece em 31 de julho", cita, referindo-se ao mercado americano. "Até lá, muitas das empresas de TI com origem familiar devem decidir ir ao mercado", estima o especialista de mercado de capitais da BDO Trevisan.

Há, entretanto, outros fatores que podem tornar a ida de empresas de TI à Bovespa mais lenta. "O maior deles está ligado às relações trabalhistas que essas firmas mantêm com seus colaboradores", diz um dos sócios da Deloitte, Eduardo Jorge Costa. "Há nelas um alto nível de terceirização e são poucas as que seguem as normas trabalhistas da forma adequada", diz o executivo.

Para Costa, o mercado mostrará para essas companhias que fazer uma oferta de ações listando-se no Bolsa de Valores não será mais viável. "Os bancos coordenadores não têm muito interesse por colocações menores, que é o propósito desse tipo de segmento. E, além disso, como o mercado está mais seletivo na escolha de papéis, acho que o jeito será mesmo ir direto para o Novo Mercado", explica Costa.

O valor médio para a oferta de ações de uma companhia do segmento de TI é de R$ 600 milhões. O cálculo é do advogado Gustavo Contrucci, do escritório Castro, Barros, Sobral e Gomes, que confirma que a questão da governança corporativa é um dos aspectos muito considerados pelo mercado ultimamente. "O caso Cisco fez com que essa percepção se acentuasse", afirma o advogado.

Em outubro do ano passado, a Cisco foi acusada de organizar um esquema fraudulento de importações para não recolher impostos, cuja investigação se prolonga até hoje. De acordo com a PF (Polícia Federal), as perdas para o Fisco podem ter alcançado mais de R$ 500 milhões nos últimos cinco anos.

Na ocasião, o presidente da companhia no Brasil, Pedro Ripper, foi preso pela PF. "Após esse episódio, houve uma certa retração de empresários do setor. Eu tinha um cliente cujo contrato de compra de uma companhia estava assinado. Desistiu", lembra o advogado. O negócio envolvia, segundo Contrucci, R$ 148 milhões.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Luciano Feltrin)

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